terça-feira, 22 de outubro de 2013

Perdoe-se

"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro." (Isaías 43:25)


Nossa capacidade de perdão é limitada, mas a de Deus é infinita. O Senhor não tem nenhuma dificuldade em apagar as nossas transgressões, Ele decide esquecer nossas falhas e as afasta de Sua presença. Não, Ele não tem problemas de memória, é simplesmente uma opção que Ele faz, por sua infinita misericórdia e seu grande amor por nós.

Somos nós, e não Deus, que temos dificuldade de perdoar, e quando o fazemos ainda retemos a lembrança que de tempos em tempos volta, em especial quando sofremos uma ofensa semelhante. Isso não se aplica apenas aos outros, mas a nós mesmos. Quantas vezes repassamos em nossas mentes a lembrança dolorosa de algo de ruim que fizemos contra outras pessoas, contra nós mesmos ou contra Deus, mesmo com o pecado confessado e perdoado. Esse sentimento tem um nome: culpa.

A culpa é completamente diferente do arrependimento genuíno. Neste, o Espírito Santo é quem nos revela onde devemos melhorar e é Ele quem opera a mudança, de forma sempre muito doce. Ele, com muita paciência, nos mostra o pecado, espera que reconheçamos o erro, aguarda o arrependimento, a confissão e quando entregamos tudo a Ele, nos trata. Faz esse trabalho tão delicadamente, que nos move a querer mudar, simplesmente para podermos continuar em sua presença, ouvindo seus conselhos e deixar tudo de ruim que existe em nós para trás e permitir sermos renovados.

Por outro lado, a culpa é um julgamento muito severo de nós mesmos e quase sempre está acompanhada de mágoas, remorsos, autopiedade, vergonha.... É facil entender porque muitas vezes paralisa, o peso torna-se muito grande. O mais curioso é que é uma manifestação de incredulidade e orgulho. Orgulho porque decidimos que o julgamento de Deus foi leve demais, nos comportamos com juízes; incredulidade porque não acreditamos no Amor de Deus para nos perdoar e restaurar, esquecemos que Ele é Amor, é sua natureza.

Nossa imperfeição não diminui o Amor que Ele sente por nós e nem sua capacidade de esquecer os pecados confessados, ainda enfrentaremos as consequências de nossos atos, mas nunca sozinhos e quanto mais confiarmos, mais ajuda teremos. Jesus prometeu estar conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20) e preferiu se fazer carne e morrer na cruz a passar a eternidade sem nosso sorriso, nossa companhia. Se Ele, que nunca pecou, não se lembra de nossos pecados, porque não podemos fazer o mesmo?


A Paz.

Por Lucyanna Raposo.

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